Transferência de pacientes infectados exige rigoroso protocolo do CBM MG para evitar disseminação

Atualizado: Mai 12

Um trabalho minucioso e exaustivo, mas extremamente necessário para garantir a segurança dos envolvidos e evitar a disseminação


O Governo do Estado decretou no último mês de março, a inclusão de todas as cidades mineiras na onda roxa, fase mais restritiva e rigorosa adotada pelo programa de enfrentamento à covid-19, Minas Consciente. A medida se dá em virtude do agravamento da situação de esgotamento de leitos em todas as regiões do estado.


Antes da mudança de fase, porém, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) já trabalhava, em parceria com o SAMU, em apoio à Secretaria de Estado de Saúde (SES), na remoção e remanejamento de pacientes em várias cidades do estado. Ação fundamental para garantir um atendimento mais adequado aos pacientes com quadro mais avançado da doença.


O que chama a atenção nesse tipo de ocorrência, no entanto, é o ritual utilizado pela corporação para a realização do transporte de pacientes infectados. Uma série de protocolos precisam ser rigorosamente seguidos para evitar contágio dos tripulantes e demais envolvidos no processo de transferência dos pacientes.


A tenente Sílvia Amélia de Souza Paula, do Batalhão de Operações Aéreas (BOA) conta que quando é feita a triagem de um paciente que necessite de transporte, todos os envolvidos na ocorrência como piloto, copiloto, tripulante operacional, médicos e enfermeiros passam por um procedimento diário que muitas vezes se torna exaustivo, pois num mesmo dia a equipe pode transferir vários pacientes para destinos diferentes.


Cada integrante da equipe recebe um kit de proteção individual, o qual é composto por macacão, bota, luvas, máscara n95, óculos e gorro. Até a colocação dos itens requer uma metodologia para evitar contágios e um sistema de vedação de punhos e pernas por meio de fitas adesivas para assegurar a devida proteção. A paramentação é realizada na chegada no município para que não haja desgaste da equipe por tempo muito prolongado.


Durante o traslado, a equipe permanece paramentada, independente das condições climáticas, até a chegada na base e transferência do paciente para a ambulância que o levará para a unidade de saúde destinada pela SES.


Ao término do processo de transferência dos pacientes, os integrantes das equipes iniciam a etapa de desinfecção. No chamado corredor de descontaminação, militares e demais tripulantes pisam numa espécie de tapete com solução de hipoclorito ( pediluvio) e em seguida em mais um tapete para limpar completamente a sola dos pés. Seguindo no corredor de descontaminação é a vez das mãos, que também recebem uma solução para desinfecção e só então poderão iniciar o processo de retirada da paramentação seguindo um passo a passo.


A equipe de descontaminação cuidará da destinação segura do material descartável e das botas e óculos que são novamente descontaminados para serem reutilizados. Todo o restante é descartado de forma segura, evitando assim o máximo de contaminação de materiais possível.


Mas os cuidados não param por aí. Até as aeronaves passam por um processo de envelopamento, que só começa depois da retirada de todo o material que não é de uso essencial para aquela ocorrência. A partir daí, todas as superfícies da aeronave que podem ter impregnação de partículas são envelopadas com plástico filme. O envelopamento facilita e agiliza também a limpeza de equipamentos utilizados na remoção dos pacientes.


No avião, por exemplo, é possível realizar um isolamento da cabine com a parte interna da aeronave com o uso do plástico, separando piloto e copiloto do restante da tripulação, incluindo o paciente. Ao final do traslado, todo esse plástico é retirado das superfícies e equipamentos, evitando assim, a penetração de partículas que podem impregnar e contaminar de forma mais abrangente a aeronave.


Por último, a mesma equipe de descontaminação que ajuda no processo de desparamentação dos tripulantes irá realizar o processo de limpeza no interior das aeronaves com álcool, uma solução de hipoclorito ou biguamida.


Um trabalho minucioso, rigoroso, repetitivo e exaustivo tanto para a equipe que realiza a transferência dos pacientes quanto para quem que realiza o processo de descontaminação, mas extremamente necessário para garantir a segurança dos envolvidos e evitar a disseminação da doença.


Antes da pandemia, vários cuidados semelhantes já eram adotados neste tipo de ocorrência, no entanto, a covid-19 impôs novos protocolos na rotina dos militares e profissionais de saúde.


Um compromisso que o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais tem defendido em todas unidades operacionais, no intuito de oferecer o melhor serviço para a população mineira, resguardando a saúde de todos num momento crucial de enfrentamento à pandemia.


Fonte: Comunicação Social - CBM MG.